Morar sozinho já é realidade para milhões de brasileiros — e essa mudança está transformando o mercado imobiliário
Com famílias menores e novos estilos de vida, cresce a busca por imóveis que combinam boa localização, segurança e praticidade. Entenda como essa transformação está mudando a forma de morar e as oportunidades do setor.
Publicado em 23 de Outubro de 2026 às 09:37 AM
Um novo jeito de morar está ganhando espaço no Brasil
Morar sozinho deixou de ser uma realidade restrita aos jovens que buscam independência. Hoje, esse estilo de vida faz parte de uma transformação importante na sociedade brasileira e já influencia diretamente o mercado imobiliário. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo IBGE e publicados pela Agência Brasil, 18,6% dos domicílios brasileiros tinham apenas um morador em 2024 — praticamente uma em cada cinco residências.
Afinal, quem são os brasileiros que moram sozinhos?
Ao contrário do que muita gente imagina, esse público não é formado apenas por jovens adultos. Uma matéria publicada pela EXAME, com base em um levantamento da Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), aponta que 47% das pessoas que vivem sozinhas têm entre 30 e 59 anos, enquanto 41% têm 60 anos ou mais. Apenas 12% estão na faixa dos 15 aos 29 anos. O envelhecimento da população, os divórcios, a redução do número de filhos e a busca por autonomia ajudam a explicar esse cenário.
Por que esse comportamento está mudando o mercado imobiliário?
Quando a composição familiar muda, as necessidades de moradia também se transformam. Uma pessoa que vive sozinha pode priorizar características diferentes das de uma família com filhos, como ambientes funcionais, facilidade de manutenção, segurança e acesso aos serviços essenciais. Isso amplia a demanda por imóveis que atendam a diferentes momentos da vida, desde o primeiro apartamento até uma residência mais prática para quem deseja simplificar a rotina.
Apartamentos menores, mas com escolhas mais inteligentes
Com a expansão dos lares unipessoais, apartamentos compactos ganham relevância, especialmente em regiões com boa infraestrutura. A matéria da EXAME destaca que, na cidade de São Paulo, a área média dos apartamentos de um dormitório lançados caiu de 40,5 m², em 2013, para 27,2 m², em 2024. Essa mudança mostra como o mercado vem adaptando parte de sua oferta a novas necessidades. Mais do que metragem, muitos compradores avaliam o aproveitamento dos espaços e a possibilidade de morar perto do trabalho, do transporte e do comércio.
Localização e segurança continuam sendo diferenciais
Um imóvel menor não significa abrir mão da qualidade de vida. Pelo contrário: para muitas pessoas, morar em uma região bem localizada pode representar mais tempo livre, menos deslocamentos e maior conveniência no cotidiano. Portaria, acessibilidade, elevadores e proximidade de mercados, farmácias e serviços também podem pesar na decisão. O desafio do mercado imobiliário é encontrar o equilíbrio entre localização, preço e características do imóvel, considerando as necessidades específicas de cada comprador.
Nem todo mundo que mora sozinho procura o mesmo imóvel
A idade e o momento de vida fazem diferença. Um jovem que está saindo da casa dos pais pode priorizar mobilidade e proximidade do trabalho. Uma pessoa que passou por uma separação pode buscar um novo começo, enquanto alguém mais velho pode valorizar tranquilidade, acessibilidade e segurança. Por isso, entender o perfil do comprador é fundamental para oferecer opções realmente adequadas, em vez de considerar todos os moradores individuais como um único público.
Oportunidades para quem compra, vende ou investe
Essa transformação também abre espaço para novas estratégias no setor imobiliário. Imóveis compactos, apartamentos de um ou dois quartos e unidades próximas a centros comerciais podem atender a parte dessa demanda, inclusive para locação. Entretanto, o potencial de cada investimento depende de fatores como localização, preço de aquisição, custos de manutenção, procura local e rentabilidade esperada. Para quem deseja comprar, a recomendação é avaliar não apenas as necessidades atuais, mas também os planos para os próximos anos.
O futuro da moradia começa com a compreensão das pessoas
O crescimento dos lares unipessoais mostra que o mercado imobiliário precisa acompanhar as mudanças da sociedade. Não existe um único modelo de moradia ideal: existem diferentes estilos de vida, prioridades e objetivos. Para imobiliárias, incorporadoras, compradores e investidores, compreender essas transformações é uma maneira de identificar oportunidades e tomar decisões mais conscientes. Afinal, mais do que vender imóveis, o setor precisa entender as pessoas e os novos significados que elas atribuem ao lugar onde vivem.
Fontes:
EXAME — Mercado Imobiliário: Morar sozinho virou regra? 1 em cada 5 brasileiros vive só — e a maioria não é jovem. Publicado em 7 de outubro de 2026.
Agência Brasil: Proporção de brasileiros que moram sozinhos cresce 52% em 12 anos. Publicado em 22 de agosto de 2025, com dados da PNAD Contínua do IBGE.
IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), fonte dos dados sobre a composição dos domicílios brasileiros.